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Arquivo de 27 de abril de 2010

Neymar é prova viva da má formação de atletas no Brasil

Leiam abaixo a entrevista que Neymar concedeu à jornalista Débora Bergamasco, de “O Estado de São Paulo”. Não bastasse ter perdido a pose de bom moço durante sua passagem no Programa do Jô, Neymar dá uma grande prova de como o atleta brasileiro é mal formado. Com baixa escolaridade, falta de preparo para o sucesso, inversão de valores são marcantes na entrevista concedida ao jornal paulistano. Neymar chega a dizer que não é negro, diz que alisa o cabelo. Este é o Brasil de Carlos Arthur Nuzman e Ricardo Teixeira. Um país da catolagem despreparada. Abaixo as declarações do jovem menino da Vila.

Do Estado de São Paulo

Dói abrir mão de R$ 40 mil (dízimo)?

Para Deus nada dói. E acho legal. A gente conhece bem o Pastor da Peniel. Faz dez anos que estou lá e agora estão ampliando a igreja. Acho que se a gente acreditar em Deus, as coisas vêm naturalmente. Deus me deu tudo: dom, sucesso…

Falando nisso, qual a parte chata de fazer sucesso?

Ah, não tem parte chata. Eu acho que é sempre legal.

Já foi vítima de racismo?

Nunca. Nem dentro e nem fora do campo. Até porque eu não sou preto, né?

O que gostaria de comprar que ainda não tem?

Queria um carrão

Mas você acaba de comprar um Volvo XC-60, por R$ 140 mil. Não é um carrão?

Ah, é, mas queria uma Ferrari. Nunca andei.

Uma Ferrari ou um Porsche?

Não sei. Qual é melhor?

Não sei também.

Ah, então eu quero um Porsche amarelo e uma Ferrari vermelha na garagem.

Qual é o seu tipo de mulher?

Linda

Prefere as loiras, as morenas, japonesas…?

Tem de ser linda. Sendo linda, tá tudo certo. E só não pode ser interesseira.

Você alisa mesmo os cabelos a cada 20 dias?

Aliso. Nem sei o que eles (cabeleireiros) fazem. Só sei que tem um cheiro ruim. Mas fica bom porque meu cabelo é meio enrolado. Aí tem que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro. Sou meio maluco, né?

Parece que você tira as sobrancelhas também…

Tiro aqui embaixo (diz, penteando-as com os dedos).

E o que mais você faz para cuidar da aparência?

Depilo as pernas com uma maquininha. Da canela até as coxas. Acho que fica melhor assim. Ah, e faço o pé com a podóloga do CT (Centro de Treinamento do Santos). E, olha aqui, meu pé até que é bonitinho, né ? O pessoal costuma ter a unha preta. Eu, não.

Como gosta de se divertir?

Depende. Quando eu ganho o jogo, aí saio para bagunçar. Mas se perco, prefiro ficar quieto em casa. Só jogo uma sinuca. Fico chateado, bravo e se alguém fizer uma piadinha na rua… eu não tenho sangue de barata. Também gosto de dançar. Danço de tudo: funk, psy, sertanejo, blackmusic.

Gosta de viajar?

Gosto de ir para outros lugares, mas não gosto de viajar, não. É chato ficar dez horas dentro do avião. Você anda para lá e para cá e nunca chega.

Qual o lugar que mais gostou de conhecer?

Os Estados Unidos. Fui para Nova York e Los Angeles. É tudo diferente, né ? A rua, o cheiro. Fui também para Catar, México, Nigéria.

Para onde gostaria de ir?

Hmmm… para a Disney. Gosto de Parque de Diversões, brinquedos radicais. Tenho medo, mas eu vou. Ah, e Cancún também. Não surfo, mas pego um “jacarezinho”.

Já tirou seu título de eleitor?

Não tirei. Nem queria, mas vou ter que tirar.

Sabe quais vão ser os candidatos à Presidência?

Não sei, não.

Gosta do Lula?

Não to prestando muita atenção nisso. Mas agora vou ter que passar a prestar.

Até onde quer chegar como jogador de futebol?

Quero ser o melhor do mundo.

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Rádios comunitárias: a promessa e a realidade

 

Por Cristiano Aguiar Lopes

As rádios comunitárias nasceram no Brasil com a promessa de trazerem uma maior democratização às comunicações. O Brasil contava então – e conta ainda hoje – com um sistema concentrado em grandes redes, no qual a produção de conteúdos era bastante centralizada. Além disso, existia – e existe ainda hoje – um grande número de políticos que eram donos, direta ou indiretamente, de emissoras de rádio e de TV, fenômeno batizado de “coronelismo eletrônico”.

Foi nesse contexto que a Lei nº 9.612/98, que criou oficialmente o serviço de radiodifusão comunitária, surgiu. Digo “oficialmente” porque muito antes, ainda na década de 1970, já existiam pequenas rádios que operavam em baixa potência, mas sem autorização. Foi justamente o crescimento desenfreado das rádios livres, especialmente no interior do país, que motivou a promulgação da lei das rádios comunitárias. Rádios que deveriam pertencer a todos e a ninguém, que deveriam estar abertas a qualquer um, sem distinção de classe, cor, credo ou opinião política. Uma rádio comunitária deveria estar livre dos interesses econômicos que norteiam rádios comerciais e dos interesses políticos daquelas que são instrumentos de um “coronel eletrônico”.

Porém, o que a lei efetivamente criou foi um processo de outorga bastante complicado, repleto de exigências burocráticas, no qual apenas os mais fortes sobrevivem. E os mais fortes, nesse caso, são aqueles que contam com a ajuda providencial de políticos, que atuam como padrinhos das entidades que podem trazer-lhes algum ganho político, como mostra reportagem da dupla de repórteres Ana Paula Scinocca e Eugênia Lopes publicada no jornal O Estado de S. Paulo (“Políticos viram despachantes de luxo e apadrinham rádios comunitárias”, 15/3/2010).

A figura do padrinho

 

Não por acaso, diversas pesquisas mostram que boa parte das mais de 3.900 rádios comunitárias autorizadas em todo o país estão longe de serem independentes. Na verdade, muitas delas pertencem a políticos e servem a interesses eleitorais específicos – o que o professor Venício A. de Lima e eu chamamos de “coronelismo eletrônico de novo tipo”.

O “novo tipo”, na verdade, designa apenas a esfera em que o fenômeno ocorre, que deixa de ser federal e passa a ser municipal. A estrutura de fundo permanece inalterada: concessões públicas, que deveriam prestar um serviço público, são utilizadas para fins particulares. Informação dá lugar a propaganda política e os prejuízos para a democratização das comunicações são enormes.

Há solução para o problema? Sim, por certo, e ela passa obrigatoriamente pela simplificação do processo de outorga. Com menos exigências, a figura do padrinho passa a ser dispensável. Entidades verdadeiramente comunitárias, por mais humildes que sejam, teriam a oportunidade de receber uma autorização para prestarem o serviço de radiodifusão. Teríamos assim mais rádios, mais pluralidade, mais fluxo de informações. Resta saber se há vontade política para se incentivar uma verdadeira democratização das comunicações.

*Texto publicado no Observatório da Imprensa

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Show de Gols: Waldir Amaral!

Ele foi um talentoso profissional de comunicação. Um dos pioneiros na transformação das jornadas esportivas do rádio num verdadeiro show. Criou bordões que atravessaram todo o Brasil e tornaram-se referência nacional como “indivíduo competente”, “o relógio marca”, e “tem peixe na rede”. Criou também o apelido “Galinho de Quintino” que acompanha Zico até os dias de hoje.

Waldir iniciou sua carreira na rádio Clube de Goiânia. No Rio de Janeiro, passou pelas rádios Tupi, Mauá, Continental, Mayrink Veiga, Nacional e Globo. Nesta última, por sinal, permaneceu de 1961 a 1983. Foi Waldir, ao lado de um dos diretores da Rádio Globo, Mário Luiz, o “criador intelectual” da vinheta “Brasil-sil-sil!”, gravada pelo radialista Edmo Zarife durante as Eliminatórias da Copa do Mundo para 1970, para levar a seleção à frente, e que está no ar até hoje.

Waldir Amaral faleceu 10 dias antes de completar 71 anos, vitimado por uma insuficiência coronariana.

Em sua homenagem, a rua Turf Club, no bairro do Maracanã, passou a se chamar R. Radialista Waldir Amaral. Rua, aliás, onde se encontra a sede a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). Ouça abaixo a narração de Waldir Amaral: Brasil 4X1 Tchecoslováquia no dia 03-06-70.

Os bordões

Profissional extremamente criativo, Waldir Amaral costumava dizer vários bordões enquanto narrava a partida. Alguns bordões criados por ele:

“Tem peixe na rede do…” Ele dizia quando o time levava gol do adversário:”Tem peixe na rede do Vasco”

“Choveu na horta do…” Ele dizia quando o time fazia gol no adversário: “Choveu na horta do Mengão Brasil”

“É fumaça de gol” Ele dizia quando surgia uma oportunidade de gol: “Aproxima-se da área, é fumaça de gol…”

“Caldeirão do Diabo” A grande área: “Vai cruzar no caldeirão do Diabo”

“Indivíduo competente” Quem fazia o gol: “Indivíduo competente o Zico”

“Deeeeez, é a camisa dele!”

“O visual é bom, Roberto tem bala na agulha” Quando o jogador ia bater uma falta.

“Estão desfraldadas as bandeiras do Fluminense” Ele dizia logo após o gol.

Waldir foi um locutor original e que soube comunicar como poucos. Narrava pausadamente, com elegância e muito estilo. Foi um dos maiores radialistas esportivos de todos os tempos.

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