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Arquivo de 28 de junho de 2010

Nota 10 para o “Proteste Já” do CQC

No quadro “Proteste Já”, Danilo Gentili  atende a reclamações de telespectadores e procura responsáveis por problemas que afligem comunidades ou pessoas comuns. Dessa vez, Gentili denunciou o descaso da prefeitura de São Bernardo do Campo, no interior paulista, onde uma escola municipal onde estuda centenas de crianças está ameaçada pelo iminente desabamento de uma encosta. Para piorar, na parte superior da encosta funciona um estacionamento de caminhões, com autorização da prefeitura de São Bernardo.

Danilo Gentili não só foi preso por guardas municipais, como ainda foi agredido em pleno espaço público. Ao procurar o prefeito Luiz Marinho, que batizou sua gestão como “governo da inclusão” , ouviu a promessa de que tudo será resolvido em um mês. Ao tentar obter uma resposta de Luiz Marinho sobre as agressões sofridas, ouviu-se absoluto descaso e deboche por parte do homem que já foi ministro do governo Lula.

Este é o mesmo Luiz Marinho acusado de mandar o motorista de uma limousine acelerar o carro e passar por cima de aposentados, que protestavam na porta do palácio oficial em 2007.

O intrépido repórter Danilo Gentili vai fundo na procura dos responsáveis pelo problema em questão, que em muitos casos, sempre é o prefeito. Esta é a essência do jornalismo, externar um problema, apontar responsáveis e atuar como mediador entre as partes.

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Dunga e os pendurados…

Por Roberto Junior

Juro a vocês que a ideia principal desse texto era elogiar Dunga pela “coragem” de escalar Ramires, ao invés de Josué, no lugar do machucado Felipe Melo. Embora não tenha sido brilhante, o ex-cruzeirense deu outra cara ao meio-campo desse Brasil cada vez mais mortal na arte de contra-atacar. Mas como o Sr. Carlos Verri parece não saber viver sem uma “cornetada”, aí vai: ô professor, por que tu não tiraste os pendurados logo que o time abriu 3 a 0?

No mais, os canarinhos foram bem. Depois de um começo de partida complicado, o gol achado na cabeça de Juan tranquilizou as coisas. Do jeito que Kaká e companhia gostam, os suicidas chilenos viraram presa fácil para as saídas em velocidade que resultaram nos tentos que definiram um 3 a 0 até certo ponto tranquilo, mas que não deve servir de parâmetro para o confronto contra a Holanda na próxima sexta-feira.

Não que os laranjas façam uma Copa brilhante até aqui. Pelo contrário. Surpreendentemente pragmáticos, parecem estar cansados de “sempre encantar, mas nunca ganhar”. Que tenhamos então cuidado com eles.

No entanto, mesmo diante do talento de nomes como Robben e Sneijder acho que a Seleção de Dunga entrará em campo carregando o favoritismo, não só pelo peso da camisa, mas, sobretudo, pela segurança da defesa e pela matreirice de matar o rival na hora exata.

É claro que as coisas podem ser mais fáceis, dependendo do onze que o treinador mandará a campo. Felipe Melo, ficou nítido, não pode ser titular. Se Ramires, suspenso, não pode jogar, que se coloque, por exemplo, Dani Alves ali de segundo volante. Há que se criar alternativas também a um eventual bloqueio aos laterais, principalmente Maicon, travado em uma parte da peleja por Mark González.

Foi boa de verdade a vitória brasileira, em que pese a burrice de “Loco” Bielsa, que mandou seus comandados de cabeça no precipício ao tentar armar uma blitz contra o Brasil mais alemão da História.

Humildade, raça e vibração. Se falta um tantinho de talento, sobram essas virtudes para os Dunga Boy’s. Que eles se mantenham assim, pois o dia 11 de julho é um céu perfeitamente alcançável.

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É por aí

Por Carlos Alberto Parizzi

Continuo afirmando que os vencedores dos dois confrontos, Argentina e Alemanha, Brasil e Holanda, serão os finalistas da copa. Não vejo como Uruguai ou Gana superem brasileiros e holandeses. Assim como na outra chave, os quatro que ainda brigam possam vencer argentinos ou alemães. Ficou um buraco técnico muito grande entre essas seleções que dou como favoritas e o resto. Não acredito em nenhuma “zebra”.

O primeiro jogo de hoje, entre Holanda e Eslováquia, ficou evidente como o talento individual interfere numa competição equilibrada por baixo. Robben e Sneidjer sobraram. Sneidjer foi completo. Armou, defendeu, atacou com a mesma eficiência. É o cérebro do time. Robben é mortal naquele corte pelo lado direito do campo para dentro e o arremate para o gol com a esquerda. Assim foi o primeiro gol holandês. A Eslováquia foi até onde podia. Passar daí seria injusto com o futebol. Uma seleção que se defende muito e pouco apresenta de poderio ofensivo, como foi na primeira fase.

O Brasil confirmou supremacia sobre o Chile. Jogou razoavelmente bem. Os chilenos deixaram jogar. Tenho aqui que elogiar alguns jogadores que venho criticando muito, até porque não são meus favoritos para a seleção e não têm categoria, mas neste jogo jogaram muito bem. Gilberto Silva e Michael Bastos jogaram o que a gente pede de um cabeça de área e um lateral. O Michael nem tanto, mas o Gilberto Silva jogou uma partida impecável. Preocupa-me muito a situação do Kaká. Parece mesmo que não está recuperado. Não consegue dar suas arrancadas, perde a bola com muita facilidade e mal nas finalizações. Pena o Ramires ter levado o cartão amarelo. Vamos ter que aturar aquele tal de Felipe Melo. Dunga tinha acertado o time sem querer com a contusão do cara. Bom, mostrou evolução o time, apresentou algumas opções principalmente na formação dos contra ataques. Estamos na briga e com chances. Agora é pensar na Holanda. É outro jogo, talvez o mais complicado para o Brasil. Considero a Holanda e Alemanha os piores adversários. Os argentinos a gente conhece. Quando jogamos contra os caras tremem.

*Carlos Alberto Parizzi é comentarista do Jogo Aberto Rio da BAND e da Rádio Tamoio 900AM.

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“Ricardo Teixeira e João Havelange são corruptos”!

Não foram poucas as vezes que Ricardo Teixeira foi acusado de ser corrupto e chefe de uma quadrilha. Ele muitas vezes processou os que se insurgiram contra sua gestão, parou no banco de duas CPIs em Brasília. Chegou a se defender dizendo que seu prestígio no exterior era alto. Mas desta vez a acusação vem do Reino Unido . Mais precisamente de um inglês.

Andrews Jennings não é um jornalista esportivo, e sim um repórter investigativo.

Um dos mais conhecidos da Inglaterra. Isso é testemunhado por décadas de colaboração com os principais jornais britânicos e a BBC.

Mas principalmente é o pesadelo de Blatter, da FIFA, aos quais dedicou um livro, “Foul ! The Secret World of FIFA: Bribes, Vote-rigging and Ticket Scandals (em livre tradução, Falta ! Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos), publicado em 2006.

Leia a breve entrevista que ele concedeu à revista Carta Capital

 

Por que o senhor é o único jornalista do mundo com acesso proibido nas entrevistas à imprensa com Blatter ?

Porque há anos procuro em vão ter respostas do chefe da FIFA sobre corrupção e propinas, baseado em muitos documentos “confidenciais”.

Com muita probabilidade cansou-se de não responder e preferiu condenar-me ao ostracismo, o que de certa forma me deixa orgulhoso.

Quer dizer que mister Blatter tem medo das minhas perguntas.

Em quanto importa, segundo seu parecer, a quantia das propinas pagas pela FIFA nos últimos 20 anos ?

Segundo estimativa do Tribunal de Zug, na Suíça, o valor, limitado apenas aos anos 90, é estimado em aproximadamente 100 milhões de dólares.

Todo esse dinheiro acabou nos bolsos dos funcionários esportivos que estavam sob contrato, quase todos eles com a FIFA.

Quando o senhor começou a recolher as primeiras provas de corrupção ?

Trabalhei durante anos sobre o tema corrupção na FIFA, juntamente com um colega alemão. As nossas suspeitas eram fortíssimas, mas não tínhamos provas porque a ISL, a sociedade que geria antes o marketing e em seguida os direitos de tevê da FIFA, era uma companhia fechada.

Impossível receber informações transparentes sobre suas operações de balanço.

Todavia, quando faliu de forma fraudulenta, seus livros contábeis foram colocados à disposição dos curadores falimentares, bem como dos tribunais.

E foi justamente nos tribunais que tivemos a confirmação, com provas, daquilo que suspeitávamos, mesmo se a realidade superava nossa imaginação.

A corrupção na FIFA como e quando começou ?

Em 1976, o então presidente da entidade, o britânico Sir Stanley Rous, foi deposto.

Ninguém podia corromper Stanley.

Em seu lugar entrou o brasileiro João Havelange, que era muito corrupto.

Foi ele que inaugurou o “sistema”, recebendo propinas via ISL.

Sua afirmação é grave. Ela se baseia em que ?

Em testemunhos que recolhi de ex-integrantes da FIFA, altos dirigentes.

E em documentos.

Havelange chega e traz Ricardo Teixeira. Com qual resultado ?

Um “boom” de corrupção !

A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas.

No decorrer da transmissão do programa Panorama, da BBC, perguntei em três ocasiões a Sepp Blatter o que ele sabia sobre as propinas embolsadas por Havelange e ele sempre ficou calado. Pedi também informações de uma específica propina, mas também neste caso Blatter fez cena muda.

De qual propina se tratava ?

De 1 milhão de francos suíços  que deveriam acabar nos bolsos de Havelange.

Por um erro foram depositados numa conta da FIFA, provocando o pânico entre os dirigentes honestos da organização. Posso garantir que havia três pessoas numa sala da FIFA quando chegou aquele pagamento: Sepp Blatter e outros dois dirigentes.

Falei com este que me confirmaram que o destinatário da propina era Havelange.

Um dos dois entregou uma declaração oficial e assinada aos advogados da BBC, na qual afirmava que, em caso de processo por parte da FIFA contra mim e a BBC, ele compareceria no Tribunal para confirmar que o pagamento era para Havelange.

O mesmo, porém, pediu para não ser citado na reportagem que foi divulgada pela BBC, e que qualquer um pode apreciar na internet.

O pagamento teria sido por quem ?

Pela ISL, no início de 1998.

E o que há em relação a Teixeira ?

Bastaria olhar os documentos da acusação criminal depositados à margem do processo de Zug.

Em relação aos depósitos feitos pela ISL, há um para a RENFORD INVESTIMENT LTD., sociedade controlada por Havelange e Teixeira.

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