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Arquivo da categoria ‘Sérgio Santos’

Dunga: anjo ou demônio?

Por Sérgio Santos

Desde pequeno, ouvia minha avó dizer: “não se chuta cachorro morto”. Curioso, mas no cenário público brasileiro (inclua-se aí a política) é comum um sujeito cair em absoluta desgraça. E mais comum ainda é ver uma turma pronta para desqualificar e destruir o pobre desgraçado, se apropriando do discurso da razão e do saber. Todos sabem, todos conhecem.

E não seria diferente com o futebol, logo o elemento criticado e amado, corrompido e endeusado.

Não seria exagero dizer que Dunga é hoje o brasileiro em maior evidência em todo o planeta. O que ele fala e faz é acompanhado e julgado por milhões de pessoas. Quando há situações onde o técnico externa declarações infelizes, logo a imprensa esportiva acha causas e pretextos dos mais nobres para o linchamento público. Diga-se que há personalidades especializadas em provocar as cóleras moralistas, políticas, administrativas, estéticas e clubísticas em nosso país. Incrível, mas de fato parece ser o dom maldito da crítica pela simples crítica.

Não me venham os eruditos e intelectuais falar que o futebol é responsável pela alienação das massas, pois é justamente o futebol que cumpre o que a constituição promete: igualdade entre seres humanos. Une até no momento da destruição daquele indivíduo que fica na área técnica.

Não raro, o tratamos como um judas em Sábado de Aleluia. Mesmo quando o criticado seja um vencedor de tudo o que disputou e não tenha sofrido uma só derrota no mundial da África do Sul.

Ele é mal educado em muitas oportunidades? Concordo. Só quer ser elogiado e escolhe a que emissora dará as melhores respostas? Também considero. Mas não seria ele um injustiçado em muitas das oportunidades de ataque?

E se Dunga conseguir chegar ao hexa através da mediocridade? E se ele não precisar de um Romário para triunfar? A imprensa fará uma fila para beijá-lo nas mãos? O fetiche da crítica faz parte do circo dos intelectualóides e entendidos da bola.

Anjo ou demônio, todos estão olhando-o e ouvindo a tudo o que ele fala. Vivos e mortos, amantes do futebol. Olhemos para Dunga. Da África ,virá sua redenção ou mais um apocalipse que soterrará momentaneamente o feito dos vitoriosos. O Chile está aí, sem um volante e dois zagueiros. Segunda-feira é dia de assistir ao carrosel de pangarés dunguianos, chefiado por um El Capone mal disfarçado e dirigido por uma aberração da natureza. Não foi técnico de clube, mas agora é Deus. Até as quartas da Copa.

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COPA DO MUNDO: A pátria vai para a guerra?

A mão direita de Andres Sanches e a esquerda de Ricardo Teixeira merecem nossa atenção

Por Sérgio Santos

Faltam pouco mais de 24 horas para o início da repetitiva sensação que envolve torcedores brasileiros ao redor de telões, rádios e TVs. Sim, a pátria mais uma vez calça suas chuteiras. O adversário é a Coréia do Norte, comandada por um ditador odiado pelas potências capitalistas, que possuem em comum com o líder comuna apenas a capacidade de marginalizar e aniquilar os fracos.

É curioso o clima das ruas. Parece que um país inteiro vai para a guerra. O sentimento de patriotismo aumenta, casas com baideirinhas verdes e amarelas. Até os parasitas do poder público, que vivem saqueando os cofres da nação noite e dia, se abraçam à bandeira da pátria, choram, se desesperam como o mais fanático do mundo da bola.

E dá um frio na barriga de todo torcedor ao saber que Neymar assistirá ao primeiro jogo do Brasil no Alzirão, famosa rua do bairro da Tijuca, no Rio. E que Ganso estará com a família, em Belém. O excesso de coerência que  Dunga  demonstrou poderá custar caro.

E da Copa da África depende o destino de Ricardo Teixeira. Não na CBF, onde tem cacife vitalício. Mas na presidência da Fifa.

Ele vem sendo estimulado por cartolas de vários países e estados brasileiros a antecipar de 2015 para o ano que vem sua candidatura ao comando da entidade, em oposição à reeleição do suíço Joseph Blatter, com quem até agora estabelece uma guerra fria. Até o carpete da CBF já sabe disso. Para ele, não basta ser a cara do Comitê Organizador da Copa 2014. Diga-se que estou falando do mesmo Ricardo Teixeira que, recentemente, doou um kit da seleção para o Departamento Penitenciário Nacional: Calção, camisa e chuteiras. ”Torcedores” alojados em Presídios Federais receberam alguns mimos. Entre eles, Fernandinho Beira Mar. A turma ganhou presente de quem os entende, na melhor concepção da palavra.

E diante das vitórias, há uma tendência histórica de assistirmos uma Dilma Roussef torcedora, um José Serra com chapéu de palhaço verde e amarelo. Até porque, convenhamos, vale tudo na hora de sensibilizar o eleitorado.

Dia desses meu irmão de 12 anos me supreendeu: “copa do mundo parece negócio. Parece até um videogame”. Golaço! Sim, a copa é um negócio, capaz inclusive, de eleger um presidente da FIFA ou da república. Como se futebol, política e negócios fossem uma coisa só.

Claro que o mundo da bola não é uma coisa menor, como certo dia sugeriu Celso Amorim. Nossas instituições tem muito a aprender com o futebol. Não com a cartolagem que o domina. Mas com o boleiro que sai da miséria e dá calor e glória à massa. Porque é o futebol que cumpre a promessa fracassada da constituição federal: igualdade para todos! É no estádio que somos todos iguais. Uma massa comum. As vezes infiltrada por bandidos organizados, é verdade.

Vou preparando meu radinho, uma bom churrasco e que comece o jogo. Para o bem ou para o mal, a pátria calçou as chuteiras. Que venha o hexa!

* Sérgio Santos é locutor esportivo e repórter da Rádio Fluminense 540AM
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Tango na África: time ofensivo triunfa com gol de zagueiro

Time ofensivo vence com gol de zagueiro, observado pelo Maradona barbudo FOTO: Reuters

Por Sérgio Santos

Quis o destino que o segundo dia da copa fosse melhor que o primeiro. Com direito a um Maradona barbudo, de terno e gravata, o país prestou atenção na estréia de nossos vizinhos. E com três atacantes, diga-se de passagem.

O início da Argentina foi magnífico. Os “hermanos” teriam aberto o placar aos 3 minutos de jogo em grande jogada de Messi, mas que Higuaín tratou de jogar para fora – de maneira incrível, a propósito. Há quem se pergunte até agora o que Diego Milito fazia no banco de reservas. O dono da Liga dos Campeões da Europa poderia ter entrado mais cedo, ao menos.

A Argentina foi o que dela se espera do meio para a frente. O seu gol, de Heinze (de cabeça) após a cobrança de escanteio de Verón aos 6 minutos de luta, foi pouco para a grandiosidade de uma seleção que ainda é vista com desconfiança.

O orgulho e a paixão do torcedor argentino impressiona e faz inveja. Apaixonados por sua história, sua raça e seu talento. E por Don Diego na área técnica, um tanto diferente.

Perdoem, mas adorei ver Messi em todos os lados do ataque, tocando com malandragem ao melhor estilo brasileiro, passando com precisão, mais parecido com ele mesmo no Barcelona.

 Perto do fim do jogo, o mesmo Lionel Messi errou bolas incomuns e perdeu um gol que não poderia perder. Pergunto-me se ele não tem correndo nas veias um pouco do sangue tupiniquim.

Do outro lado viu-se valentia do início ao fim. Uma Nigéria que não se abateu após a cabeçada de Heinze. Agrediram a defesa dos “hermanos”, que aliás, mostrou-se segura na maior parte do tempo. Que se diga: Gutiérrez é realmente limitado e chegou a comprometer a defesa dos argentinos , por vezes. Enyeama fez defesas milagrosas. Até aqui, o melhor dos oito goleiros que já se apresentaram na Copa da África.

Enfim, Nigéria em uma noite inspirada de seu goleiro! Até deve sonhar com a classificação às oitavas de final, já que, vai disputar vaga com Coreia do Sul e Grécia.

Apesar de ter ouvido Galvão Bueno dizer que o “esquema tático estava estranho ao final do jogo” , viu-se uma organização que o time da Argentina não apresentou nas Eliminatórias. Parecem terem escondido a organização, mas o talento continua rigorosamente o mesmo. Por ironia, o time para lá de ofensivo acabou triunfando com gol de zagueiro.

*Sérgio Santos é locutor e repórter esportivo da Rádio Fluminense 540AM

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