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Aqui jaz Rádio Tamoio
Nunca fui muito fã de rádio, principalmente do Rádio AM. Até que quando entrei na faculdade de jornalismo, conheci um mestre que me mostrou o que era trabalhar em rádio, as diferenças da rádio AM e FM.
Pois é. Eram duas coisas diferentes. Ainda não existia, pelo menos aqui no Rio, a “aemização do fm”.
Comecei a gostar desta “cachaça”. Pois é, gente. Rádio vicia!
Lembro-me ainda quando no fim de 2006 fui trabalhar ao lado de Haroldo de Andrade, maior comunicador de rádio que já conheci. Este sim tinha caráter, se preocupava em manter os empregados de sua emissora e era um idealista. Mas infelizmente um mês após a morte de Haroldo, a rádio foi vendida para a Rede Canção Nova.
Mas hoje, infelizmente, parece que a rádio vicia qualquer um. Qualquer pessoa com dinheiro chega hoje em uma emissora carioca, com 100 ou 150 mil reais no bolso por mês, dinheiro que se sabe lá de onde vem, e arrenda toda uma emissora às vistas grossas da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel.
Esta não é nem a primeira e nem será a última vez que isso vai acontecer.
Isto é agravado com a pouca fatia publicitária que as agências destinam ao rádio carioca, principalmente o AM.
Ao meu ver, rádio é uma CONCESSÃO PÚBLICA. O Governo Federal concede a pessoas ou grupos que deveriam prestar serviço, passar informação, gerar entretenimento, enfim… a rádio tem todo um caráter social, ou pelo menos deveria ter.
Foi nesta terça-feira, às 21:15h, que a terceira ou quarta colocada no Ibope das rádios AM, a Rádio Tamoio, foi arrendada pelo grupo do Sr. Walter Sandro, do portal motivacional. A partir de agora, o esporte da Tamoio será apresentado de 11 às 12 horas e de 20 às 22 horas.
Aos domingos, a programação esportiva vai iniciar ao meio-dia, e não mais às onze da manhã, como de costume.
Isto é certo, eu acho, até o dia 30 ou 31. Depois, ninguém sabe.
É uma pena que profissionais que lutaram, dando até murro em ponta de faca, de uma hora pra outra, sejam “comunicados” do ocorrido e pronto.
Até hoje me pergunto: como funciona o arrendamento de horário em uma concessão pública? O nome Tamoio pertence ao Sistema Verdes Mares, mas se a rádio não está transmitindo o que propõe as regras de uma concessão pública, ela pode simplesmente arrendar o horário e continuar aferindo receita em cima desta concessão?
O futuro a Deus pertence. Parece que Deus está começando a cuidar do futuro dele. Deve estar querendo se tornar um comunicador de rádio e já começou a mandar seus missionários começarem a fechar negócio.
Tino Junior tem a menor audiência dos últimos 20 anos nas tardes da Rádio Globo
“Amigo que é bom, surpreende sempre”. Este foi o slogan utilizado pela Rádio Globo ao trocar praticamente toda a sua grade de programação.
Canázio saiu das tardes nacionais e foi para a manhã falando apenas para o Rio. Loureiro Neto voltou a comandar o “Papo de Botequim”. Tino Junior, novidade então na emissora, assumiu o horário de 15 às 17 horas. Sem contar as mudanças com Alexandre Ferreira, Jorge Luiz e, um pouco antes, a saída de Daniel Penna-Firme.
Aliás, este site antecipou o dia em que a Globo estrearia em FM, deu em primeira mão a nova grade de programação, antecipou os workshops que os comunicadores tiveram que passar para adaptar toda a programação de AM no FM… Enfim, aqui você leitor / ouvinte, ficou sabendo de tudo antes.
Sabemos que tudo que é novidade demora a engrenar, mas uma emissora que hoje tem dois canais (AM e FM) com toda a estrutura do Sistema Globo de Rádio deveria se preocupar em obter a menor audiência em 20 anos e perder para a Super Rádio Tupi com menos da metade dos pontos da concorrente.
Pois é, parece que o Sistema Globo de Rádio deu um tiro no pé. Tino Junior marca 0,93 de 15 às 16 horas e 0,95 de 16 às 17 horas, contra 2,22 e 1,97 do Heleno Rotay na Tupi.
Até onde as soluções geniais podem descaracterizar uma emissora?
Vale o registro: sou ouvinte do Tino Junior, gosto do programa dele. O ouvinte entra no ar. O Tino realmente me surpreendeu na adaptação do FM para o AM + FM, mas se os números apresentam um resultado aquém do esperado, como mostra o Ibope, ainda está faltando alguma coisa.
Voltando ao slogan: “Amigo que é amigo surpreende sempre”. Pois é, o Ibope me surpreendeu! Que isso, fera!
OPINIÃO – Realengo: Sensacionalismo em busca de audiência
Fico triste ao ver que a imprensa age de forma deliberada quando resolve noticiar a tragédia ocorrida nesta quinta (07) em Realengo em pleno DIA DO JORNALISTA.
É fato que a tragédia ocorrida em Realengo merece comoção nacional e até mesmo mundial. Também é fato que a imprensa tem o papel de informar à população sobre o ocorrido, ajudar na divulgação dos nomes das vítimas e buscar as declarações das autoridades ditas competentes.
Agora o que não pode é transformar este fato em sensacionalismo.
Darei apenas dois exemplos: a Rede Globo ficou ao vivo por vários minutos e mostrava reportagens onde apareciam mães desesperadas discutindo com policiais. Wagner Montes trouxe ao estúdio da Record RJ um pai de um dos alunos ainda com sangue na camisa e colocou ao vivo por telefone uma criança, como se fosse ele o delegado que iria tomar o depoimento daquela vítima, só que expondo a menina para todo o Rio de Janeiro.
A imprensa deveria observar bom senso ao publicar ou divulgar uma notícia se atendo ao fato ocorrido e ajudando na cobrança junto às autoridades.
É muito fácil apenas chamar o assassino de psicopata, animal, enfim, mas não colaborar em nada para o avanço das investigações.
A imprensa não deve julgar ninguém e sim cobrar e informar.
A carta do atirador
“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida.”
Caiu por terra o boato de que o atirador era muçulmano
”Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida.” Wellington M. Oliveira
Protesto: fui tolhida ao não ouvir o Ronaldinho Gaúcho
Por Isabela Guedes
Ontem fui tolhida por não ouvir o jogador Ronaldinho Gaúcho, na vitória magra do Flamengo de 1 a 0 em cima do Boavista, no Engenhão. Como a maioria sabe, sou torcedora do Bangu e ouvinte de rádio há quase 16 anos.
Ao fazer o blog do Rádio Carioca, em março de 2008, por protestar pelo fim da equipe esportiva da Rádio Nacional1130 AM. Enfim… os anos passaram e a “MINHA” Nacional voltou na temporada de 2009.
Dois anos passaram e estamos em 2011. A equipe esportiva da tradicional emissora da “Praça Mauá” cresceu em qualidade e em quantidade, recolocando assim repórteres, locutores e comentarista para o “casting” do rádio.
Em um país democrático, como é dita na constituição brasileira, tenho a opção de escolha. Correto? Nem tanto. Ao estar na minha casa, infelizmente, fui tolhida por não escutar SEQUER a voz de Ronaldinho Gaúcho, pois o astro rubro-negro não falou à Rádio Nacional. Segundo o que eu ouvi, Gabriel Torres, setorista, foi IMPEDIDO de exercer o seu papel fundamental: REPORTAR, CONDUZIR, PARA MIM, ENQUANTO OUVINTE DE RÁDIO E DA RÁDIO NACIONAL, o cotidiano, o riso e a lágrima dos clubes do Rio de Janeiro.
Não faço parte do “meio radiofônico esportivo” e nem da Rádio Nacional do Rio de Janeiro(KHz 1130 AM). O que me DÓI, com relação a esse fato, é não ter a OPÇÃO e o DESEJO de ouvir um ídolo brasileiro, na “minha” estação de rádio: a Rádio Nacional.
Não me interessa quem empurrou o excelente repórter da equipe esportiva da “Praça Mauá”, mas saibam de algumas peculiaridades históricas, pois, se fossem em priscas eras, ou em culturas mais evoluídas, aonde são encotidas na população, a MEMÓRIA e a HISTÓRIA DE UM POVO, a RÁDIO NACIONAL seria REVERENCIADA e RESPEITADA:
1- No dia seguinte da sua inauguração, no dia 13 de setembro de 1936,a Rádio Nacional transmitiu o primeiro Fla-Flu de sua história com Gagliano Neto na locução;
2- Foi a primeira emissora a pôr repórteres atrás das “metas”, revolucionando assim, o modo de transmitir o futebol(que até hoje todos copiam);
3- Elevou o futebol carioca aos cantos mais distantes deste país e mundo. Bem antes da chegada da internet, os satélites dos “KHz 1130 am”, popularizou os 6(SEIS) clubes da antiga Capital Federal: Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, América e Bangu. Se no seu estado, você torce para um time do Rio de Janeiro e não o time do seu Estado, agradeça à Rádio Nacional, que ao longo de quase 75 anos de história(com algumas “paradas” da emissora), fez você ser rubro-negro e estar vibrando agora com a conquista da 19ª Taça Guanabara;
4- No programa “Balança Mais Não Cai”, da referida emissora fazia em “1900 e Guaraná-rolha” ,o personagem Peladinho, torcedor fanático do rubro-negro, CUNHOU o então Flamengo por MENGÃO. Se o seu filho de 3 anos não consegue dizer FLAMENGO e sim MENGÃO, agradeça à Rádio Nacional, pois elevou o Flamengo a uma categoria maior: a do superlativo “ÃO”;
5- No começo da década de 1980, o então chefe da equipe esportiva da Rádio Nacional, José Carlos Araújo, inovou ao colocar repórteres de campo para fazer entrevistas nas concentrações(até então, INÉDITO no rádio esportivo);
6- Ao longo de 74 anos de história, a Rádio Nacional teve em seu casting:Jorge Curi (in memorian), Waldir Amaral (in memorian), João Saldanha (in memorian), José Carlos Araújo, Gagliano Neto, Júlio Cesar Santanna (in memorian), Denis Menezes, Cesar Rizzo, Zildo Dantas (in memorian), Cícero Mello, José Cabral, Doalcey Camargo (in memorian), Washigton Rodrigues, Sérgio Moraes, Paulo César Tênius, Luiz Mendes, Luiz Penido, Chico Anysio, Roberto Pôrto, Fred Damato, Gérson Júnior, Sidney Marinho, André Ribeiro, Tárcio Santos, José Silvério, Welligton Campos e tantos outros que, se eu lembrar-me de TODOS os que passaram pela emissora querida, não caberá em um post já extenso.
Infelizmente ou felizmente, pude pôr para fora o meu descontentamento após ouvir, ou melhor digitando, O NÃO ESCUTAR a “palhinha” de um ídolo, como Ronaldo Gaúcho, na Rádio Nacional.
Ao encerrar este protesto-post, deixarei uma citação simplória do célebre escritor Rubem Braga: “O POVO FALA A LINGUA DA RÁDIO NACIONAL”. E eu retruco de cá, nos meus meros 29 anos de vida nesta existência: E EU SOU ESTE POVO!
*Isabela Guedes é jornalista
Os perigos da flexibilização da Voz do Brasil
A crítica carioca aplaude o ato da Comissão de Cosntituição e Justiça (CCJ) que aprovou nesta semana a flexibilização da Voz do Brasil,que é apresentada às 19h atualmente. A reclamação do empresariado é compreensível, já que a audiência cai de 19,42% para 2,44%, segundo pesquisa do Intermeios.
No Rio de Janeiro é possível identificar tendências políticas variadas no mercado de AM e FM. De fato, há pluralidade de idéias quando o assunto é política. Se a unamidade é burra, digamos que a cidade maravilhosa passou com nota 10: Sérgio Cabral agrada a troianos, mas não a gregos.
Mas o Brasil não se resume aos grandes centros urbanos. Nos rincões do país vê-se costumeiramente ainda o voto de cabresto, uma “República de Ipanema” construída por coronéis modernos e decadentes, onde na alta roda o PT se senta e pede apoio. No interior raramente há divergências ideológicas. Quem possui emissoras de rádio ( sobretudo após o governo Sarney) possui o poder. Aos que ousam profanar o nome de conhecidos políticos que posam para fotos de revistas de celebridades são encaminhados para a tortura ou para a morte. A “Voz do Brasil” é um fardo que são obrigados a carregar há décadas. Chegou a hora de se insurgir contra isso. Usando, é claro, a força da opinião pública dos grandes centros urbanos.
Claro, é do centro de poder que partem as notícias, matérial primário do jornalismo. Diga-se que jamais houve um esforço para melhorar a “Voz do Brasil”, para torná-la atraente para o ouvinte. Simplesmente aplaudiram a anedota de que política é algo chato e desnecessário.
Mudar o horário da ”Voz do Brasil” será a maior vitória deste século para velhacos e playboys da política nacional. Alguns empresários, políticos e espertos que embolsam fortunas arrendando emissoras vão ter a cara de pau de meter um vitrolão de 19h às 20h, ou fazer um programa de debates com a visão política que convém a este ou aquele político local. A dor do engano é suave como a vinheta de uma emissora de sucesso. Faz eco no futuro onde de vozes imperam num vazio sem consciência política e social. É um grande passo para o reino da canalhice.
O texto aprovado pela CCJ ainda deverá passar pela Comissão de Educação e pelo plenário do Senado, antes de voltar para uma segunda rodada de votação na Câmara dos Deputados.
Os tambores da “Voz do Brasil ” vão soar baixinho um dia. É mais um demônio parido pela democracia. Que tende a engolir os nanicos perdidos em algum lugar.
Pelé. Sim, ele é humano!
Certa vez o saudoso Paulo Francis disparou em um dos seus artigos um clichê que sobrevive há nos. “Se o povo do Brasil pensasse 1% do que faz com o futebol, estariam em situação melhor”. Francis já era o polemista radicado em Nova York, grande crítico da cultura popular e odiava o nobre esporte bretão.
Mas, o que faz do Brasil um lugar a ser visitado? O que merece destaque ? Ah, aqui tem leis, que não são cumpridas, diriam uns. Aqui tem impunidade para corruptos, diriam outros. Aqui tem brasileiros, de costumes típicos, únicos, fanáticos por futebol. Aqui tem o maior jogador desse esporte em todos os tempos. Esse senhor fará 70 anos em breve. Ver seus lances geniais 70 vezes não satisfaz a visão de quem admira a dança do futebol tupiniquim.
Houve um tempo que a esquerda da política brasileira defendia o abandono do futebol, pois era justamente esse fanatismo que adiava em anos a sonhada revolução socialista, apimentada pelos discursos de Moscou e a Guerra Fria escancarada. Claro, dia de jogo da seleção brasileira na Copa era impossível resistir. A foice e o martelo paravam pra ver Pelé bailar com a gorducha nos gramados.
E o “negão” é conhecido por parar uma guerra, enfartar quase uma dezena de pessoas durante um derby com o Palmeiras, ter uma cabeçada que parecia um chute. É a síntese de um futebol que tem dança, que é pioneiro, quase único. Um rei amigo e humilde. Não se negava a falar com o mais desconhecido repórter.
Futebol não é uma coisa menor. É justamente isso o que faz do Brasil e dos brasileiros elementos importantes na história. É veneno e remédio ao mesmo tempo. É no futebol que são realizadas das promessas de igualdade presentes na constituição brasileira. E Pelé merece ser reverenciado em vida. O rei está vivo. Vida longa a ele.
O rei completa 70 anos neste sábado. Para quem perdeu, vale conferir a série de reportagens desta semana, na Globo News. Confira abaixo.
















